O modelo de mercado competitivo e globalizado, pressionou empresas à busca de competitividade e diferenciais a fim de manter sua posição, vis-à-vis novos competidores vindos de além mar. Neste cenário, perseguindo a alta performance que asseguraria sua sobrevivência, boa parte das companhias adotaram modelos de gestão baseados na meritocracia, estimulando a competição entre seus colaboradores e premiando resultados diferenciados.
Rapidamente o modelo transformou-se em uma verdade
corporativa, proclamada e ratificada por analistas e gurus da administração.
Empresas não aderentes foram taxadas de arcaicas ou pouco competitivas, sendo
pressionadas à mudança ou perdendo valor.
A vitória desta técnica baseada na lógica de mercado,
perante outros sistemas e utopias, institucionalizou o conceito onde segundo
bases “iguais”, os resultados obtidos definem e justificam os vencedores. A
responsabilidade da vitória não deve ser distribuída, mas ranqueada e com a
distinção clara entre vencedores e perdedores. Os eleitos tem sua diferenciação
autorizada, já que a mesma é considerada fruto do seu talento e esforço superiores
aos demais.
Neste cenário, o mercado de consumo também transforma-se e o
produto
deixa de ser mera ferramenta utilitária e transveste-se como
troféu de premiação a vencedores, consolo ou instrumento de disfarce para
derrotados. Certificados pelos resultados premiados na meritocracia e julgados
pelo seu talento e esforço “comprovados”, os vencedores estão liberados a
exibir seus troféus.
O produto se veste de ferramentas de design e conceito, onde sua simbologia ultrapassa em larga escala
sua funcionalidade mecânica. Consumidores são chamados de fãs, obtendo pertencimento
e lugar, chegando aos limites da idolatria à marca.
Mesmo institucionalizado, o modelo expõe suas vulnerabilidades.
O produto como combustível narcísico ou analgésico à falta é precário, portanto
não se sustenta e faz-se necessária a repetição. Este ciclo de consumo
repetitivo atende às métricas de crescimento corporativo, fundamentais à
sobrevivência do modelo meritocrático, estendendo sua validade ao limite.
À repetição, o produto se renova, a obsolescência programada
pare novas versões que tiram o valor simbólico da versão anterior e forçam sua
substituição. Mesmo sem sustentação possível, o ciclo se repete à exaustão.
Este circuito de disfarces aparentemente sem fim, é
realimentado continuamente pela lógica mercantilista, que movimenta objetos e
sujeitos conforme suas leis de oferta e demanda. No entanto, tanto vitoriosos
quanto perdedores, tal qual faces de uma mesma moeda, não passam impunes e pagam o preço por figurar neste
jogo sem perceber.
Sem perceber?
(Marcos Paim C. Fonteles, psicanalista)
Sem perceber?
(Marcos Paim C. Fonteles, psicanalista)

Nenhum comentário:
Postar um comentário